Reforma Tributária mudará as regras dos aluguéis em 2026

A principal alteração trazida pela Reforma Tributária é a criação de dois novos tributos que substituirão diversos impostos federais, estaduais e municipais. A partir de 2026, as locações de imóveis passam a ser analisadas sob o ponto de vista de prestação de serviço, especialmente quando realizadas de forma habitual ou profissional.

Esses dois novos impostos são:

IBS
Imposto sobre Bens e Serviços, que substituirá ICMS e ISS, com gestão compartilhada entre estados e municípios.

CBS
Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal, que substitui PIS e Cofins.

Na prática, isso significa que quem aluga imóveis poderá ter de recolher IBS e CBS, além do tradicional Imposto de Renda, caso se enquadre nos critérios de habitualidade e volume de receitas.

Quem será impactado pela nova tributação sobre aluguéis

Nem todos os proprietários de imóveis serão afetados pelas novas atualizações da lei dos aluguéis. A Reforma Tributária estabelece critérios objetivos para a incidência dos novos tributos, com o objetivo de preservar o pequeno investidor e focar nos contribuintes com perfil de atividade econômica mais estruturada.

De acordo com a proposta em vigor, serão tributadas com IBS e CBS as pessoas físicas que:

Recebem mais de duzentos e quarenta mil reais por ano com aluguéis

Possuem mais de três imóveis alugados

Realizam a locação como atividade habitual, com organização e sistematização que caracterize prestação de serviço

Esses critérios foram definidos para distinguir o aluguel ocasional da atividade empresarial de renda passiva. Proprietários com um ou dois imóveis, por exemplo, que usam o aluguel como complemento de renda familiar, devem continuar tributados apenas pelo Imposto de Renda Pessoa Física, usando o sistema do carnê-leão.

Reforma Tributária mudará as regras dos aluguéis em 2026
Reforma Tributária mudará as regras dos aluguéis em 2026

Como os novos tributos vão funcionar na prática

A estrutura de cobrança do IBS e da CBS ainda está em fase de regulamentação detalhada, mas já se sabe que a alíquota total dos dois tributos pode chegar a vinte e cinco por cento sobre o valor bruto recebido. Para evitar distorções no mercado de locação, a legislação prevê redutores específicos para o setor imobiliário, especialmente nas locações residenciais.

Com os redutores aplicados, a estimativa atual é que a alíquota efetiva fique próxima de oito vírgula quatro por cento sobre a receita bruta, o que ainda representa um novo custo para muitos locadores.

É importante lembrar que esse percentual incide sobre todo o valor do aluguel recebido, e não sobre o lucro líquido. Portanto, mesmo que o imóvel tenha despesas com manutenção ou condomínio, o cálculo será feito com base no valor total pago pelo inquilino.

Exemplo prático de como a tributação afetará um investidor

Imagine o caso de um proprietário que possui cinco apartamentos alugados, cada um gerando quatro mil reais mensais. Sua receita anual total com aluguéis é de duzentos e quarenta mil reais, exatamente o limite de isenção.

Se esse valor for ultrapassado, ele entrará na faixa de contribuinte obrigado a recolher IBS e CBS, além do Imposto de Renda.

Com uma alíquota efetiva de oito vírgula quatro por cento, o novo custo fiscal será de aproximadamente vinte mil reais por ano, reduzindo significativamente a rentabilidade líquida da operação.

Esse cenário mostra como a nova regra exige planejamento tributário, reorganização de contratos e possível migração para regimes de pessoa jurídica, quando houver vantagem comprovada.

Como será o período de transição até a implementação total

A nova tributação não será implantada de forma abrupta. A Reforma Tributária prevê uma transição escalonada até o ano de dois mil e trinta e três. Durante esse período, os novos impostos serão aplicados de forma progressiva, enquanto os tributos antigos vão sendo gradualmente extintos.

Veja abaixo como será essa transição:

Ano de dois mil e vinte e seis
Início simbólico da cobrança de CBS e IBS com alíquotas reduzidas

Ano de dois mil e vinte e sete até dois mil e trinta e dois
Crescimento gradual da alíquota dos novos tributos e redução das alíquotas antigas

Ano de dois mil e trinta e três
IBS e CBS passam a ser os únicos tributos sobre locação de serviços, substituindo completamente PIS, Cofins, ISS e outros

Essa transição permite que os contribuintes se adaptem, avaliem alternativas e ajustem seus modelos de operação sem prejuízos bruscos.

Quais imóveis entram nessa regra?

É importante destacar que a nova regra de tributação não diferencia o tipo de imóvel, mas sim o perfil da atividade exercida. Portanto, tanto imóveis residenciais quanto comerciais, alugados por pessoa física com habitualidade e volume relevante, podem ser enquadrados.

A lei também não faz distinção entre contratos novos e antigos. Isso significa que todos os contratos ativos estarão sujeitos às novas regras, desde que o locador se enquadre nos critérios de obrigatoriedade.

Como se preparar para a nova tributação dos aluguéis?

A mudança tributária exige mais do que simples adequação. Ela pede um reposicionamento estratégico para manter a viabilidade financeira da locação.

Confira algumas ações recomendadas:

Avalie sua receita total com aluguéis e verifique se ultrapassa o limite de duzentos e quarenta mil reais por ano

Consulte um contador ou especialista em planejamento tributário para entender se é vantajoso abrir uma empresa para administrar os imóveis

Atualize seus contratos de locação, garantindo cláusulas claras sobre reajuste, repasse de encargos e periodicidade

Considere centralizar a gestão dos imóveis em uma holding patrimonial, quando houver volume e valor que justifiquem esse modelo

Mantenha a documentação e os comprovantes de pagamento organizados, pois o cruzamento de dados será intensificado pela Receita Federal

Quais os riscos de não se adequar?

A não adaptação às novas regras fiscais pode gerar consequências graves, como:

Multas por omissão de receita

Cobrança retroativa de impostos com juros e correção

Impedimento de renovação contratual em condições regulares

Autuação por parte da Receita Federal com base em informações prestadas por inquilinos ou por instituições bancárias

Além disso, a informalidade se tornará cada vez mais difícil, uma vez que o novo sistema tributário prevê integração entre registros públicos, cartórios, plataformas de assinatura digital e sistemas bancários.

Como a nova regra pode impactar o valor dos aluguéis

Diante do aumento da carga tributária para determinados perfis de locadores, é possível que o mercado experimente uma elevação gradual nos valores cobrados dos inquilinos. Muitos proprietários, especialmente os que operam com alto volume, podem optar por repassar parte do custo para o preço final do aluguel.

Por outro lado, a maior formalização e padronização das locações tende a profissionalizar o setor, trazendo mais confiança ao inquilino e um ambiente mais seguro para o investidor.

Tabela comparativa do cenário atual e pós Reforma Tributária

CritérioAté 2025A partir de 2026
Imposto aplicadoApenas IRPF pelo carnê-leãoIRPF + IBS + CBS (em certos casos)
Isenção para pessoa físicaAté R$ 240 mil por anoMantida
Recolhimento mensalFacultativo (até certo valor)Obrigatório conforme novo regime
Tipo de imóvelQualquer tipoQualquer tipo
Exigência de PJOpcionalRecomendável para altas receitas
Documentação exigidaBásicaMais rigorosa e integrada

Conclusão

A entrada em vigor da Reforma Tributária em dois mil e vinte e seis representa uma mudança decisiva para o mercado de locação no Brasil. Com a aplicação dos novos tributos IBS e CBS sobre a receita de aluguéis, especialmente em casos de maior volume ou habitualidade, o investidor imobiliário passa a ser visto sob o olhar do fisco como um prestador de serviço.

Se você possui imóveis alugados ou administra locações, o momento de agir é agora. O planejamento tributário se tornou indispensável, assim como a organização dos contratos, a análise de alternativas societárias e a adoção de boas práticas de gestão.

A nova regra não é apenas um detalhe fiscal. Ela redefine a forma como o aluguel será tratado nos próximos anos e impõe um novo padrão de profissionalismo no setor.